Pular para o conteúdo principal

Dra. Nayara Lopes – Nutrologia em SP e Litoral de SP

Como a nutrologia ajuda a aliviar sintomas e promover bem-estar duradouro

A menopausa é uma fase natural na vida da mulher, marcada pelo fim da menstruação e por mudanças significativas no corpo e na mente.

Embora não seja uma doença, esse período pode trazer desafios importantes — físicos, emocionais e sociais. Ondas de calor, alterações no sono, impacto no humor, secura vaginal, ganho de peso e risco aumentado para osteoporose são apenas alguns dos sintomas que podem comprometer a qualidade de vida.

Mais do que nunca, é essencial informação de qualidade e acompanhamento médico especializado. A boa notícia é que existem estratégias eficazes para aliviar os sintomas, prevenir complicações e resgatar o equilíbrio.

Climatério, o que você precisa saber?

A pirâmide populacional mostra que o número de mulheres acima de 40 anos de idade está aumentando significativamente em todos os países do mundo.

No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase metade das mulheres já está nessa faixa etária e no ano de 2050 se ultrapassará a marca de 50%.

O climatério é um período de transição que antecede a menopausa em si e pode durar anos, com flutuações hormonais que explicam grande parte dos sintomas.

O termo “síndrome do climatério” se refere ao conjunto de sintomas e de sinais decorrentes da interação entre fatores socioculturais, psicológicos e endócrinos que ocorrem na mulher que envelhece. Seu diagnóstico se baseia em anamnese detalhada complementada por exame físico minucioso.

Frequentemente, os sintomas próprios do climatério podem se iniciar logo após os 40 anos de idade, e essa tem sido a faixa etária que se convencionou para delimitar a insuficiência ovariana prematura do período pré-menopáusico natural.

Portanto, a partir dos 40 anos de idade, as mulheres merecem atenção diferenciada, considerando que após esse período elas estão mais suscetíveis a doenças crônico-degenerativas como:

  • Diabetes
  • Hipertensão
  • Doenças da tireoide
  • Câncer, particularmente o de colo uterino e de mama, que podem ser preveníveis e/ou rastreados

Pontos importantes:

  1. A síndrome do climatério é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da interação entre fatores socioculturais, psicológicos e endócrinos que ocorrem na mulher que envelhece.
  2. Seu diagnóstico é clínico nas mulheres com faixa etária esperada para a hipofunção ovariana.
  3. Mulheres na transição menopausal apresentam necessidades de prevenção de doenças e de promoção de saúde.
  4. O hipoestrogenismo (níveis baixos de estrogênio) associado ao envelhecimento e à síndrome metabólica pode levar a diminuição da qualidade de vida e maior ocorrência de doença cardiovascular.
  5. A consulta médica da mulher no climatério é uma excelente oportunidade para realizar rastreamento de doenças crônicas e neoplasias.

Como o médico especialista em Nutrologia pode auxiliar a mulher nessa fase?

O período da menopausa exige uma abordagem multidimensional, que vá além do alívio dos sintomas imediatos.

O médico nutrólogo atua como aliado estratégico da mulher nesse processo, avaliando de forma individualizada a saúde metabólica, hormonal, nutricional e emocional.

Entre as principais formas de atuação estão:

  • Avaliação global da saúde: o nutrólogo investiga não apenas os sintomas da menopausa, mas também os impactos em ossos, metabolismo, sistema cardiovascular e composição corporal. Exames laboratoriais e funcionais ajudam a identificar deficiências nutricionais, alterações hormonais e fatores de risco para doenças crônicas.
  • Estratégias personalizadas de nutrição: cada mulher apresenta necessidades diferentes. O especialista pode orientar um plano alimentar que favoreça equilíbrio hormonal, manutenção da massa muscular, saúde óssea e controle do peso, priorizando nutrientes como cálcio, vitamina D, proteínas e antioxidantes.
  • Prevenção de complicações: com o acompanhamento adequado, é possível reduzir riscos de osteoporose, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e depressão, condições que podem se agravar após a queda hormonal.
  • Tratamentos individualizados: seja com suporte nutricional, fitoterápicos com evidência, suplementação ou, em conjunto com outros especialistas, avaliação sobre a necessidade de terapias hormonais ou não hormonais. A conduta é sempre baseada em evidências científicas e respeita o histórico e os objetivos de cada paciente.
  • Acolhimento e escuta ativa: a menopausa vai além da biologia. Envolve autoestima, sexualidade, relações familiares e produtividade no trabalho. O nutrólogo oferece um espaço de diálogo, em que a paciente pode expor suas dificuldades e encontrar soluções que respeitam sua individualidade.

Em resumo, o médico nutrólogo atua como um guia para que a mulher atravesse essa fase com mais saúde, equilíbrio e qualidade de vida, transformando um momento de mudanças em uma oportunidade de autocuidado e renovação.

O que é a menopausa e quando acontece?

Para mulheres com idade superior a 45 anos e sintomas sugestivos de hipoestrogenismo como ondas de calor típicas, o diagnóstico de síndrome do climatério é clínico.

A definição da data da menopausa é feita retrospectivamente, após 12 meses de amenorreia (12 meses sem menstruação) em uma mulher com mais de 45 anos. Quando houver dúvida, recomenda-se avaliação complementar com exames laboratoriais.

Acontece em média aos 51 anos, e 90% das mulheres apresentam a menopausa entre os 45 e os 55 anos de idade.

Para mulheres com idade inferior a 45 anos que apresentam queixas de sangramento uterino com padrão irregular e ciclos menstruais pouco frequentes, recomenda-se que seja realizada avaliação complementar para investigação.

A idade média global situa-se entre 50 e 52 anos; no Brasil, estudos populacionais apontam média próxima de 49–51 anos.

Um dos primeiros sinais da diminuição da reserva ovariana é o encurtamento do intervalo entre as menstruações. Episódios mais longos de amenorreia passam a ocorrer, interrompidos por episódios de sangramento menstrual de volume variável.

Para mulheres com um estilo de vida pouco saudável, um alto nível de estresse, ou uma genética desfavorável, as alterações da menopausa e do avanço da idade podem ser particularmente desafiadoras.


Principais sintomas e sinais

Os sintomas mais comuns percebidos pelas mulheres na faixa dos 40 anos são mudanças na menstruação e o início de fogachos.

1) Vasomotores (ondas de calor)

O sintoma mais comum relacionado à menopausa é o fogacho (calorões).

Embora ainda não se saiba exatamente qual é a causa desse sintoma, acredita-se que os fogachos resultem de alterações no hipotálamo, a parte do cérebro que regula a temperatura corporal. O hipotálamo percebe que a mulher está quente demais e inicia uma sucessão de eventos para esfriar o corpo.

As veias sanguíneas perto da superfície da pele se dilatam (se alargam) para deixar o sangue fluir mais e diminuir o calor do corpo. Em mulheres de pele clara, isso deixa o rosto e o pescoço vermelhos, afogueados.

Também pode ocorrer suor, para esfriar ainda mais o corpo. Algumas mulheres sentem batimentos cardíacos acelerados, conforme sua pulsação acelera. Os fogachos são muitas vezes seguidos por calafrios. Algumas mulheres sentem somente o calafrio.

Quando acontecem à noite, os fogachos podem interferir no sono, mesmo que não sejam fortes o suficiente para acordar você. Se você sua muito, o sintoma é chamado de “suores noturnos”. Esse quadro pode gerar uma irritabilidade intensa, pela privação do sono que acontece.

Alguns fogachos são facilmente tolerados, outros são irritantes ou embaraçosos e alguns podem ser debilitantes

2) Distúrbios do sono

Insônia de manutenção, despertares precoces e sono não reparador são frequentes, muitas vezes secundários às ondas de calor.

O tratamento dos problemas para dormir deve começar com uma boa “higiene do sono”.

Um horário regular para o sono é importante. Escolha uma hora para levantar, independentemente da hora em que for dormir, inclusive nos fins de semana.

Evite refeições pesadas à noite e ajuste o nível de luz, barulho e temperatura (escuro, silencioso, fresco) do quarto.

É importante que você se mantenha refrescada à noite.

As máscaras de dormir e os tampões de ouvido são bons recursos, de baixo custo.

Evitar álcool, cafeína e nicotina durante o dia inteiro, e não apenas durante à noite, pode melhorar o sono e aumentar as horas dormidas.

Exercícios diários também podem ajudar a aliviar a insônia, mas fazer exercícios antes de dormir pode ter o efeito contrário.

O quarto deve ser usado somente para dormir e para as atividades sexuais.

3) Humor, cognição e emocional

Há risco aumentado de sintomas depressivos na transição menopausal (especialmente com histórico prévio, estresse e distúrbios do sono).

4) Saúde íntima e urinária

A síndrome geniturinária da menopausa (SGM), anteriormente chamada de atrofia vulvovaginal, é uma síndrome definida como um conjunto de sinais e sintomas resultantes da deficiência de estrogênio no trato geniturinário feminino, incluindo a vagina, lábios, uretra e bexiga.

Essa síndrome inclui sintomas genitais de secura, queimação e irritação, sintomas urinários e condições de dor para urinar, despertares noturnos para urinar, urgência e infecções do trato urinário (ITUs) recorrente e sintomas sexuais de dispareunia (dor na relação sexual) e falta de lubrificação.

Sem o devido tratamento, o problema pode piorar e os tecidos vaginais podem inflamar – uma condição chamada “vaginite atrófica”.

Quando estão frágeis, os tecidos vaginais ficam propensos a lesões, ferimentos e sangramentos durante a relação sexual ou o exame pélvico. A dor pode fazer com que a relação sexual deixe de ser mais prazerosa, ou até mesmo possível.

Mesmo as mulheres que não são ativas sexualmente podem ter secura e coceira vaginal, e esses sintomas podem se tornar mais severos com o tempo.

5) Ossos e metabolismo

A queda de estrogênio acelera perda óssea e aumenta risco de osteoporose e fraturas ao longo dos anos pós-menopausa.

O desconforto relacionado à menopausa pode ser reduzido por mudanças no estilo de vida, como praticar exercícios, alterar a dieta, cuidar do peso e deixar de fumar. Um estilo de vida saudável pode contribuir muito para melhorar o bem-estar – não somente perto da menopausa, mas durante toda a vida.

6) Alterações na memória e na concentração

A memória e outras habilidades cognitivas (mentais) mudam durante a vida e diminuem com a idade. Dificuldade para lembrar das coisas ou para se concentrar são reclamações comuns durante a perimenopausa e nos anos que seguem a menopausa.

Fogachos e problemas para dormir podem contribuir para as mudanças na memória e na concentração, assim como muitas fontes de estresse da meia-idade.

A manutenção da atividade física, social e mental pode ajudar a prevenir a perda de memória.


Impacto na vida emocional, relacionamentos e trabalho

  • Emocional: oscilações de humor, ansiedade e sensação de “névoa mental” podem reduzir autoestima e prazer nas atividades.
  • Relações: dor na relação e queda do desejo podem gerar afastamento e conflitos; conversar abertamente e tratar o SGM muda o jogo.
  • Trabalho e vida social: sintomas interferem no rendimento, participação em reuniões e sono — políticas de acolhimento no trabalho e tratamento adequado melhoram a produtividade e o bem-estar.

Como é feito o diagnóstico?

É clínico: história, padrão menstrual e sintomas. Exames laboratoriais podem auxiliar na investigação e definição de estratégias de tratamento.

Avaliação complementar:

  • É necessário avaliar a necessidade de solicitação de exames como ultrassonografia transvaginal, mamografia, densitometria óssea, entre outros
  • Para mulheres com risco habitual e idade superior a 50 anos, recomenda-se o rastreamento do câncer colorretal
  • O rastreamento de fatores de risco para doença cardiovascular, entre eles, hipertensão, diabetes mellitus, obesidade, tabagismo e dislipidemia, deve ser sempre considerado na consulta da mulher climatérica.
  • É fundamental pesquisar todos os critérios para definição de síndrome metabólica.
  • A transição menopausal é uma janela de vulnerabilidade para o desenvolvimento de alterações do humor, como o transtorno depressivo. Identificar mulheres que apresentam sintomas depressivos é importante para que a terapêutica adequada possa ser instituída.
  • As doenças da tireoide são prevalentes em mulheres que envelhecem e podem aumentar a morbimortalidade.

Tratamentos: o que realmente funciona

1) Terapia hormonal da menopausa

2) Terapias não hormonais

3) Estilo de vida e medidas de autocuidado

Nota importante: a escolha terapêutica é individualizada considerando sintomas, idade, tempo de menopausa, histórico pessoal/familiar e preferências. A decisão é compartilhada após discutir benefícios e riscos (timing, dose, via e duração).


Quando procurar atendimento médico?

  • Sintomas que atrapalham o dia a dia (trabalho, sono, relações).
  • Dor na relação, sangramento pós-menopausa, infecções urinárias recorrentes.
  • Humor deprimido, ansiedade, insônia persistente.
  • Sinais de perda óssea (fraturas por baixo impacto).
  • Qualquer desconforto relacionado aos sintomas relatados acima.

📍 Atendimento presencial na região de Perdizes, em São Paulo

📍Atendimento Telemedicina

📅 Agende sua consulta e comece a cuidar de você hoje mesmo!

Dra. Nayara Lopes Andrade

Especialização em Nutrologia – CRM SP 202121

Leia também:

https://dranayaralopes.com.br/emagrecimento-saudavel-o-que-realmente-funciona/: Menopausa com Qualidade de Vida https://dranayaralopes.com.br/distensao-abdominal-e-disbiose-como-a-avaliacao-nutrologica-pode-ajudar/: Menopausa com Qualidade de Vida

Referências bibliográficas:

REVISTA FEMINA. Publicação oficial da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. v. 50, n. 5, 2022.

SOCIEDADE NORTE-AMERICANA DE MENOPAUSA. Guia da Menopausa: ajudando a mulher climatérica a tomar decisões informadas sobre a sua saúde. 7. ed. Tradução: SOBRAC – Associação Brasileira de Climatério. [S.l.]: [s.n.], [20–]. ISBN 978-0-9701251-4-9. Disponível em: http://www.menopause.org.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *